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António, um rapaz de Lisboa, com encenação de Jorge Silva Melo procura capturar, de forma muito direta e reflexiva, a experiência de ser um jovem na cidade de Lisboa nos anos 90. O texto nasceu de um seminário de escrita teatral realizado pela Fundação Gulbenkian e coloca em cena os pequenos e grandes mecanismos da vida urbana: relações humanas, trabalho, amor, vícios, deslocação e identidade na cidade. O espetáculo estreou no Teatro Tivoli, em abril de 1996, quando o Teatro Nacional D. Maria II fazia a gestão cultural daquele espaço. Do elenco faziam parte atores como: Lia Gama, Manuel Wiborg, Sylvie Rocha, Isabel Muñoz Cardoso, Paulo Claro, João Meireles, Sílvia Filipe, Marco Delgado, Daniel Martinho, António Simão, Joana Bárcia, Alfredo Nunes, Isabel Leitão, entre outros.

O protagonista, António, é um jovem lisboeta — sem grandes certezas, ligado à cidade e aos seus ritmos, lutando para viver, existir e encontrar o seu lugar. A peça fala de encontros e desencontros, da forma como as pessoas experimentam a vida, o trabalho, o amor e a sobrevivência na cidade contemporânea.

O texto alterna momentos de realismo com partes mais líricas ou mesmo fragmentadas, propondo uma reflexão sobre o quotidiano urbano e a forma como as pessoas se relacionam com os seus espaços e expetativas.

A abordagem de Jorge Silva Melo mistura realismo, fragmentação e uma linguagem teatral que convida o público à reflexão sobre as suas próprias experiências de vida urbana. Jorge Silva Melo foi uma das figuras mais marcantes do teatro e do cinema portugueses contemporâneos. Nascido em Lisboa, a 7 de agosto de 1948, destacou-se como encenador, dramaturgo, cineasta, tradutor e ensaísta, assumindo ao longo de mais de quatro décadas um papel central na renovação cultural portuguesa.

Estudou cinema na London Film School, em Londres, no final dos anos 60, período durante o qual contactou com diferentes correntes artísticas europeias. Trabalhou também em Berlim como assistente de encenação na Schaubühne, uma das companhias mais influentes do teatro alemão contemporâneo. Estas experiências internacionais foram determinantes para a sua formação estética, marcada por uma forte consciência política e por uma atenção rigorosa ao texto dramático.

Em 1995 fundou a companhia Artistas Unidos, estrutura que se tornaria fundamental no panorama teatral português. Através dos AU, Jorge Silva Melo promoveu a divulgação de dramaturgia contemporânea internacional e portuguesa, apresentando autores pouco conhecidos em Portugal e apostando numa programação exigente e cosmopolita. O seu trabalho contribuiu decisivamente para alargar o repertório teatral nacional.

Enquanto encenador, trabalhou textos de autores clássicos e modernos como Shakespeare, Anton Tchekov, Bertolt Brecht, Samuel Beckett, Harold Pinter, Pier Paolo Pasolini, Eugene O’Neill, entre muitos outros. A sua abordagem privilegiava a clareza do texto, a direção rigorosa de atores e uma encenação que colocava a palavra no centro da experiência teatral.

Como dramaturgo, escreveu várias peças que refletem sobre a vida urbana, as relações humanas e a identidade contemporânea, tais como O navio dos negros, O fim ou Tende misericórdia de nós, Sala Vip, Rei Édipo e a A grande batalha.

Para além da criação artística, Jorge Silva Melo destacou-se também como tradutor e ensaísta, desempenhando um papel relevante na introdução e circulação de textos dramáticos estrangeiros em Portugal, em particular com a coleção Livrinhos de Teatro, em parceria com as Livros Cotovia. A sua escrita e pensamento revelam uma constante preocupação com o lugar da cultura na sociedade e com a responsabilidade cívica do artista.

Faleceu a 14 de junho de 2022, em Lisboa. A sua morte representou uma grande perda para a cultura portuguesa, mas o seu legado permanece vivo através da vasta obra que deixou e da influência que exerceu sobre várias gerações de artistas e espectadores.

 

Ricardo Cabaça

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