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Fotografia de José Marques

 

No dia 7 de julho de 1842 é lançada, simbolicamente, a primeira pedra daquilo que viria a ser, quatro anos depois, o edifício que hoje conhecemos como grande referência na Praça D. Pedro IV.  De acordo com Gustavo de Matos Sequeira, o trabalho de erguer tapumes e transporte de matéria-prima foi feito pelos presos que se encontravam nas prisões de Lisboa.

O Teatro foi inaugurado no dia 13 de abril de 1846, por ocasião do aniversário da rainha D. Maria II, com o texto Álvaro Gonçalves, o Magriço ou os Doze de Inglaterra, de Jacinto Heliodoro de Faria Aguiar de Loureiro, uma peça que foi selecionada por um júri composto para o efeito. O edifício foi inaugurado sem estar finalizado, sobretudo alguns pormenores exteriores que necessitavam de acabamento, além das estátuas que se encontram no frontão que só foram instaladas em 1848, mas ainda assim atraiu centenas de pessoas para uma dupla comemoração especial. Finalmente o teatro estava inaugurado, embora o texto tenha sido mais do agrado do júri do que público.

O Teatro Nacional D. Maria II é um dos mais importantes símbolos culturais de Portugal, representando não apenas a história do teatro português, mas também a evolução artística e social do país. Situado na emblemática Praça do Rossio, em Lisboa, este edifício imponente destaca-se pela sua arquitetura neoclássica e pela relevância que mantém ao longo de dois séculos de existência.

O TNDM II surgiu no contexto de uma profunda transformação cultural impulsionada pelo escritor e político Almeida Garrett. Foi ele quem defendeu a necessidade de criar um teatro nacional que promovesse a língua portuguesa, a dramaturgia nacional e o acesso do público à cultura. Assim, o Teatro Nacional D. Maria II nasceu com uma missão clara: ser um espaço de valorização das artes cénicas e de afirmação da identidade cultural portuguesa.

O edifício foi construído no local onde anteriormente existia o Palácio dos Estaus, que durante séculos serviu como sede da Inquisição. Esta transformação simbólica de um espaço associado à repressão num local dedicado à arte e à liberdade de expressão é particularmente significativa. A fachada do teatro, marcada por colunas clássicas e pela estátua de Gil Vicente no topo, reforça a ligação às origens do teatro em Portugal. O projeto vencedor é da autoria de Fortunato Lodi, arquiteto italiano, o que levantou uma polémica relevante, pois defendia-se que o edifício fosse desenhado por um arquiteto português.

Ao longo da sua história, o Teatro Nacional D. Maria II enfrentou diversos desafios. Um dos momentos mais marcantes ocorreu em 1964, quando um incêndio destruiu grande parte do interior do edifício. Este acontecimento representou uma grande perda para a cultura portuguesa, mas também deu origem a um processo de reconstrução que culminou na reabertura do teatro em 1978. Desde então, o teatro tem continuado a desempenhar um papel central na vida cultural do país.

Hoje, o Teatro Nacional D. Maria II não é apenas um espaço de apresentação de espetáculos, mas também um centro de criação, formação e reflexão artística. A sua programação inclui peças clássicas e contemporâneas, produções nacionais e internacionais, bem como projetos editoriais, expositivos e educativos que procuram aproximar o público do teatro. Dessa forma, mantém-se fiel à sua missão original, adaptando-se às exigências e desafios do mundo atual.

Em suma, o Teatro Nacional D. Maria II é muito mais do que um edifício histórico: é um símbolo vivo da cultura portuguesa. Através da sua história, arquitetura e atividade artística, continua a afirmar-se como um espaço essencial para a promoção das artes e para o enriquecimento cultural da sociedade.

 

Ricardo Cabaça

 

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